
Seu filho tapa os ouvidos diante de determinados sons? Reclama da etiqueta da roupa? Não gosta de cortar o cabelo ou as unhas? Evita algumas texturas de alimentos? Fica muito incomodado em lugares movimentados ou barulhentos?
Situações como essas podem chamar a atenção das famílias e gerar uma dúvida importante: estamos diante de uma preferência da criança ou esse comportamento está interferindo em sua rotina e merece ser avaliado?
Para começar a compreender essa questão, é importante conhecer um pouco sobre a forma como percebemos e respondemos aos estímulos ao nosso redor.
Como percebemos o mundo pelos sentidos?
Durante todo o dia, nosso sistema nervoso recebe informações provenientes do ambiente e do próprio corpo.
Sons, luzes, cheiros, sabores, toques, movimentos e sensações corporais fazem parte dessas informações.
Nosso cérebro precisa receber, organizar e responder a esses estímulos continuamente para que possamos participar das atividades do cotidiano.
Cada pessoa pode reagir de maneira diferente a determinadas sensações. Algumas crianças demonstram maior sensibilidade a certos estímulos, enquanto outras podem procurar determinadas experiências sensoriais com maior intensidade.
Ter preferências sensoriais faz parte da experiência humana e, isoladamente, não significa que exista uma alteração ou um diagnóstico.
Como essas diferenças podem aparecer no dia a dia?
As manifestações podem variar bastante de uma criança para outra.
Algumas crianças podem apresentar grande incômodo diante de sons como:
- liquidificador;
- secador de cabelo;
- aspirador de pó;
- descarga;
- música ou televisão em volume elevado;
- ambientes com muitas pessoas falando ao mesmo tempo.
Outras podem demonstrar desconforto com determinadas roupas, etiquetas, costuras, tecidos ou calçados.
Também podem surgir dificuldades em atividades como cortar o cabelo ou as unhas, escovar os dentes, tomar banho, pentear o cabelo ou brincar com materiais como areia, tinta, massinha e outras texturas.
Existem ainda crianças que parecem procurar determinadas experiências com frequência, buscando movimentos intensos, pulando, girando, correndo ou explorando objetos e superfícies constantemente.
Esses comportamentos, isoladamente, não definem uma condição clínica.
Quando o comportamento merece maior atenção?
Um dos pontos mais importantes é observar o impacto dessas reações na vida cotidiana.
Uma criança não gostar de determinada camiseta pode ser apenas uma preferência.
Mas se diferentes tecidos provocam desconforto tão intenso que vestir-se diariamente se torna uma grande dificuldade, essa situação merece ser compreendida com mais cuidado.
O mesmo vale para os sons.
É natural sentir desconforto diante de determinados ruídos muito altos. Porém, quando sons comuns do cotidiano provocam reações muito intensas ou fazem com que a criança deixe de participar de atividades importantes, pode ser útil buscar orientação profissional.
Por isso, além de observar qual estímulo incomoda, é importante considerar:
- com que frequência isso acontece;
- qual é a intensidade da reação;
- em quais ambientes ocorre;
- como a criança consegue se reorganizar;
- e quanto essa situação interfere em sua autonomia e participação no cotidiano.
E a seletividade alimentar?
Aspectos sensoriais também podem estar relacionados à experiência alimentar.
Textura, cheiro, sabor, temperatura, aparência e consistência fazem parte da maneira como percebemos os alimentos.
Algumas crianças podem apresentar forte resistência a determinadas características.
Entretanto, é importante lembrar que a seletividade alimentar pode estar associada a diferentes fatores. Por isso, não é adequado atribuí-la automaticamente a uma questão sensorial.
Quando a alimentação se torna muito restrita, gera sofrimento frequente ou interfere na rotina, no crescimento ou no estado nutricional da criança, é importante buscar avaliação profissional.
Sensibilidade a sons ou texturas significa autismo?
Não.
Pessoas autistas podem apresentar respostas sensoriais diferentes, mas uma criança se incomodar com sons, roupas, cheiros, alimentos ou determinadas texturas não significa, isoladamente, que ela seja autista.
Da mesma forma, comportamentos sensoriais não devem ser utilizados sozinhos para estabelecer qualquer diagnóstico.
O desenvolvimento infantil precisa ser analisado considerando diferentes aspectos e o contexto de cada criança.
Por isso, diante de dúvidas, o caminho mais adequado é uma avaliação individualizada, e não a tentativa de chegar a um diagnóstico por meio de sinais encontrados na internet.
Como a Terapia Ocupacional pode ajudar?
A Terapia Ocupacional pode avaliar como diferentes características da criança estão interferindo em sua participação nas atividades do cotidiano.
Isso pode envolver aspectos relacionados à rotina, autonomia, brincadeiras, participação escolar, autocuidado e outras atividades importantes para aquela criança e sua família.
Quando existem questões sensoriais, o terapeuta ocupacional pode analisar como a criança responde a diferentes experiências e de que maneira essas respostas estão relacionadas às atividades que ela precisa ou deseja realizar.
A avaliação é individualizada. Nem toda criança que apresenta uma preferência ou sensibilidade sensorial necessita de terapia.
Quando outras especialidades podem participar?
Dependendo das dificuldades apresentadas, pode ser necessária a participação de outros profissionais.
Questões relacionadas à alimentação, comunicação, comportamento, aprendizagem ou desenvolvimento podem exigir diferentes olhares.
A atuação multidisciplinar permite reunir essas informações e compreender de maneira mais ampla as necessidades da criança, evitando analisar um comportamento isoladamente.
O mais importante é observar a participação da criança
Mais do que perguntar apenas se a criança “gosta ou não gosta” de determinado estímulo, vale observar se aquela reação está limitando experiências importantes.
Ela consegue participar da rotina familiar? Frequentar a escola? Brincar? Alimentar-se? Cuidar de si de acordo com sua idade? Participar de ambientes e atividades importantes para seu desenvolvimento?
Quando determinadas reações provocam sofrimento frequente ou começam a limitar significativamente a participação da criança no cotidiano, uma avaliação profissional pode ajudar a compreender o que está acontecendo.
Na Clínica Moã – Clínica Multidisciplinar, o cuidado começa pela compreensão das necessidades individuais de cada criança. Quando indicado, diferentes especialidades podem atuar de forma integrada para construir estratégias adequadas à rotina da criança e de sua família.
Percebe que determinadas sensações estão interferindo na rotina do seu filho?
Entre em contato com a Clínica Moã para conhecer o atendimento em Terapia Ocupacional e receber orientação sobre qual pode ser o primeiro passo.
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui avaliação individualizada realizada por profissional habilitado.
Clínica Moã – Clínica Multidisciplinar
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